A IA só ganha impulso quando o canal a concretiza

“A questão já não é se a IA chegará às empresas. A questão é quem as ajudará a aplicá-la corretamente, com sentido empresarial e resultados visíveis”, diz Hugo Oliveira, Diretor Partner & Ecosystems da Sage Iberia.

 

As empresas sabem que têm de avançar nas áreas da inteligência artificial (IA), automatização, cloud, cibersegurança ou conformidade regulamentar. É um dos temas mais recorrentes no mercado. Mas o que nem sempre lhes é claro é por onde começar, como estabelecer prioridades ou como transformar tudo isso em melhorias reais para o seu negócio.

Esse é um dos grandes desafios da transformação empresarial. A tecnologia está disponível e as oportunidades também. Mas entre a decisão de avançar e o impacto tangível continua a existir um espaço significativo de execução, acompanhamento e confiança. É aí que o canal demonstra o seu verdadeiro valor.

A IA é o exemplo mais evidente. Em muito pouco tempo, passou de uma tendência do futuro para estar presente em estratégias comerciais, roadmaps de produto, processos financeiros e planos de ação. Mas as empresas não precisam de mais promessas sobre o que a IA poderá vir a fazer um dia. Precisam de compreender o que ela pode fazer hoje pelas suas equipas, pelos seus processos e pelos seus clientes.

O canal já está a responder a essa mudança. Segundo o estudo sobre a utilização da IA, realizado pela IDC em colaboração com a Sage, que analisou o desempenho de mais de 2 000 distribuidores de software a nível global, cerca de 87% dos nossos parceiros de alto desempenho já dispõem de uma prática dedicada à inteligência artificial,. Não estamos a falar de uma tecnologia que o canal observa de fora, mas sim de uma capacidade que os parceiros mais avançados já incorporam na sua forma de trabalhar e de criar valor.

O mesmo relatório indica que 60% destes parceiros afirmam que a maioria dos seus clientes já está a sentir um impacto mensurável da IA nos negócios. Este dado muda o foco da discussão. A questão já não é se a IA chegará às empresas. A questão é quem as ajudará a aplicá-la corretamente, com sentido empresarial e resultados visíveis.

Para responder a esta questão, o parceiro tem uma vantagem difícil de substituir. Conhece o cliente, compreende os seus processos e sabe que nível de mudança este pode assumir em cada momento. Sabe também que uma PME não adquire a transformação digital de forma abstrata. Adquire eficiência, controlo, poupança de tempo, redução de erros, capacidade para cumprir novas obrigações e maior segurança na tomada de decisões.

Por isso, o trabalho do canal não consiste apenas em aproximar a tecnologia do mercado. Consiste em traduzi-la. Em transformar conceitos como IA generativa, automatização financeira, análise avançada de dados ou resiliência digital em projetos concretos que se adaptem à realidade de cada empresa.

Esse papel é ainda mais importante quando se trata de cibersegurança. À medida que as empresas digitalizam processos críticos, a confiança torna-se uma condição prévia. Não há adoção tecnológica sustentável se o cliente não confiar na proteção dos seus dados, na continuidade das suas operações e na solidez das ferramentas que utiliza diariamente.

Os dados refletem essa preocupação. Segundo o estudo sobre a resiliência na era tecnológica, elaborado pela IDC e a Sage, 52% das PME consideram a cibersegurança e a proteção de dados como algumas das suas principais prioridades empresariais para os próximos 12 meses, ficando apenas atrás do crescimento. Ou seja, a segurança já não é vista apenas como uma questão técnica. Faz parte da agenda empresarial.

Este mesmo estudo indica ainda que 81% das PME não estão preparadas ou encontram-se ainda nas fases iniciais de preparação face às ameaças relacionadas com a IA. A adoção de novas tecnologias está a acelerar, mas muitas empresas ainda precisam de ajuda para compreender os riscos, organizar as suas decisões e construir uma base de confiança.

Mais uma vez, o canal tem muito a oferecer. Um parceiro não se limita a implementar uma solução. Acompanha, forma, adapta, integra e mantém-se próximo do cliente quando surgem novas necessidades. Essa continuidade é especialmente valiosa num contexto em que a regulamentação muda, os riscos evoluem e as empresas precisam de tomar decisões tecnológicas com mais critério do que nunca.

O que entendemos por «parceiro de alto desempenho» também está a mudar. Durante muito tempo, o desempenho do canal foi medido sobretudo em termos comerciais. Hoje, essa visão já não é suficiente. Os parceiros que mais valor acrescentam são aqueles capazes de combinar conhecimento tecnológico, especialização setorial, serviços de valor acrescentado e orientação para os resultados.

Voltando aos dados do estudo sobre parceiros de alto desempenho, os resultados apontam nessa direção. De acordo com o relatório, este tipo de parceiros atinge uma margem bruta média de 66%, contra os 42% da média global. A interpretação não é apenas financeira. Refere-se também ao modelo de negócio. A especialização, os serviços de consultoria e a capacidade de resolver problemas concretos geram mais valor para a empresa e tornam o negócio do parceiro mais sustentável.

Para a Sage, isto implica encarar o canal não apenas como uma via de acesso ao mercado, mas como um ecossistema de conhecimento, inovação e confiança. A verdadeira transformação ocorre quando a tecnologia se integra no trabalho, melhora os processos e ajuda a tomar melhores decisões. São os parceiros que fazem com que a inovação se concretize e se traduza num impacto real.

 

Hugo Oliveira
Partner & Ecosystem Director Iberia Sage