Como redefinir o valor e construir o futuro do ecossistema de parceiros

Os líderes empresariais não precisam de mais “conceitos”. Eles querem provas de que a IA reduz custos, aumenta receitas e remove fricção sem acrescentar riscos ou complexidade.

 

Esta prova existe agora no Canal. No estudo recente da Sage com a IDC, observámos os parceiros de alto desempenho a implementar práticas de Inteligência Artificial (IA) dedicadas e a relatar que a maioria dos seus clientes já está a conquistar ganhos mensuráveis.  Noutras palavras, houve uma transferência da IA como ideia promissora para motor de valor intrínseco. Neste processo, os líderes de mercado estão eles próprios a fazer uma passagem de AI-enabled para AI-native.

IA nativa não significa vender software com funcionalidades de IA, mas sim reposicionar o negócio em torno da inteligência. Estes parceiros constroem, vendem e tiram partido de soluções que automatizam o trabalho de rotina, orientam a tomada de decisão com conhecimento acionável em tempo real, e aprendem a partir dos dados gerados. Ao mesmo tempo, estão a criar a sua própria propriedade intelectual para que o valor se acumule, e organizam os preços, recrutamentos e go-to-market em torno de um objetivo: transformar os dados em resultados em que os clientes podem confiar.

As conclusões do estudo da IDC reforçam esta mudança. Quando 87% dos parceiros de alto desempenho recorrem a práticas de lA dedicadas, com 60% a afirmar que os clientes já observam benefícios mensuráveis, a IA nativa deixa de ser um chavão para se tornar num padrão reconhecível. Esta passagem rumo à IA nativa é especialmente notória nos fluxos de trabalho do dia-a-dia.

Os parceiros vencedores contribuem para que um departamento financeiro feche o mês mais rapidamente, reduza o tempo entre o pedido e o pagamento, diminua o reprocessamento e apresente a decisão certa no momento certo. Assim, o aconselhamento, conhecimento vertical e propriedade intelectual exclusiva tornam-se os motores de crescimento, enquanto as tradicionais margens de revenda desempenham um papel secundário. O centro de gravidade move-se da implementação para a orquestração, com a análise e IA a potenciar resultados repetíveis.

O manual do parceiro de alto desempenho

Hoje o alto desempenho tem um perfil bastante claro: os líderes lançam práticas de IA dedicadas, constroem soluções repetíveis para micro verticais e investem na sua própria propriedade intelectual para poderem mostrar rapidamente impacto e escalar com segurança.

Por seu lado, os clientes sentem as diferenças no seu trabalho do dia-a-dia, registando mais precisão, ciclos mais rápidos e novas fontes de receita. Internamente, estes parceiros partilham características relevantes, como agilidade, cocriação com clientes, fluência no ecossistema e uma cultura de aprendizagem contínua que mantem as soluções em evolução após a sua implementação.

O passo seguinte aumenta novamente a fasquia. As capacidades agentic irão impulsionar os parceiros a desenvolver uma autonomia assente na segurança desde o início. Trate os agentes como iniciantes com objetivos claros, com acessos com privilégios mínimos e auditoria completa. Crie pacotes de soluções de fácil adoção através de lojas na cloud, e bundles comprovados de vários fornecedores para que os clientes possam comprar, experimentar e expandir com confiança.

E, acima de tudo, meça o que importa. Os conselhos de administração querem impacto positivo nos resultados financeiros em vez de demonstrações. Os parceiros que redesenharem fluxos de trabalho e quantificarem a produtividade ou o aumento da receita passarão de pilotos para programas, conquistando a confiança dos diretores financeiros e de informática.

De revendedor a cocriador de capacidades

Esta evolução reconfigura o papel dos revendedores. Os fornecedores de tecnologia precisam de cocriar capacidades com os parceiros. Na prática, isso reflete-se em plataformas abertas e acesso a dados, arquiteturas de referência e ferramentas de administração, e capacitação prática que transforma o conhecimento dos parceiros em soluções verticais seguras que escalam.

O papel dos revendedores é reduzir a distância entre a ideia e o impacto para que a propriedade intelectual do parceiro se torne em resultados para o cliente de forma mais rápida e segura.

As conclusões são claras: a IA nativa não é um termo da moda. Pelo contrário, a IA nativa está a tornar-se na bandeira para o crescimento dos parceiros que constroem com foco nos resultados, se especializam com intencionalidade, colocam a confiança no centro de tudo, e provam o impacto com métricas transparentes e fundamentadas.

 

Juha Harkonen
VP Partner Ecosystem, Sage

 

Artigo de opinião publicado originalmente em IT Channel