“Aqueles que começarem agora vão liderar amanhã”

A inteligência artificial está a nivelar desigualdades. No Podcast “IA da Economia”, uma iniciativa do Jornal de Negócios com a Pontual, Hugo Oliveira falou da necessidade de acelerar mudanças e colocar Portugal perante um dos momentos mais transformadores da sua história recente.

 

Portugal está num ponto de viragem raro, daqueles em que uma revolução tecnológica redefine não só as regras da competitividade, mas a própria hierarquia entre países. A convicção é de Hugo Ferraz Oliveira, Diretor Partner & Ecosystems da Sage Iberia, em entrevista ao podcast “IA da Economia”, uma iniciativa do Jornal de Negócios em parceria com a Pontual.

Hugo Oliveira descreve este período como “assustador” devido à rapidez das mudanças, mas, sobretudo, como uma “oportunidade histórica” que Portugal não pode desperdiçar. “Aqueles que começarem agora são aqueles que vão liderar amanhã”, afirma, lembrando que a inércia é, por si só, uma forma de ficar para trás.

Para o responsável da Sage Iberia, o impacto da inteligência artificial vai muito além da automatização de tarefas. A tecnologia está a alterar a escala em que países concorrem entre si. “Um país inteligente é um país que utiliza a tecnologia, os dados e a inovação para melhor servir os seus cidadãos”, sublinha.

Mas rapidamente alarga o diagnóstico: um país inteligente é também aquele que usa a inovação “para aproveitar e dar o salto para reduzir o ‘gap’ que existe entre o país e os países mais desenvolvidos”. A revolução atual, insiste, tem uma característica que a distingue: “Estas revoluções tecnológicas permitem aos países ter o campo de batalha mais nivelado e não tão inclinado para os nossos concorrentes.”

É esse nivelamento que cria o terreno fértil para fenómenos como o surgimento de startups num mapa global mais disperso. Hugo Ferraz Oliveira lembra que, durante décadas, “as startups apareciam exclusivamente na Silicon Valley”, mas hoje “grande parte das startups já surgem na Europa e especificamente na Ibéria”, sinal de que a tecnologia deixou de ser um recurso apenas para gigantes.

Estas revoluções tecnológicas permitem aos países ter o campo de batalha mais nivelado e não tão inclinado para os nossos concorrentes.

Este movimento coincide com um momento que o gestor descreve quase como um abalo histórico. “Estamos numa fase, estamos num momento da nossa história que não sabemos como é que isto vai estar daqui a dois anos.” A velocidade da mudança aumenta a incerteza, mas também reforça a urgência. As empresas que não entrarem no ciclo de transformação agora poderão simplesmente não conseguir recuperar posição mais tarde.

Apesar de reconhecer atrasos, dados recentes de um estudo da Sage com a IDC surpreenderam-no pela positiva. “Ainda estamos atrasados, mas não tão atrasados como achávamos.” O estudo mostra que 48% das PME portuguesas já adotaram IA, mesmo que em estágios iniciais. O número contrasta com a média europeia, mas não invalida a conclusão essencial: Portugal já entrou no movimento, falta é ganhar ritmo. As empresas que adotaram IA reportam resultados expressivos: 71% melhorias de desempenho e 88% ganhos de produtividade, o que, na visão de Hugo Oliveira, comprova que a tecnologia “tem de começar a ser adotada para continuarem competitivas”.

 

Podcast IA da Economia com Hugo Oliveira aqui.
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