As PME e a inteligência artificial: confiança, formação e apoio
Para que as PME possam tirar partido do potencial transformador da inteligência artificial, é necessário mais do que apenas tecnologia. É preciso construir um ecossistema de confiança, investir na formação das pessoas e garantir um apoio institucional claro.
Num mundo cada vez mais digital e competitivo a inteligência artificial (IA) tornou-se uma ferramenta essencial para aumentar a eficiência e a inovação nas empresas. No entanto, para as pequenas e médias empress (PME), a adoção destas tecnologias continua a enfrentar obstáculos significativos. Para além do entusiasmo pelas oportunidades que a lA oferece, subsistem preocupações legítimas relacionadas com a confiança, a formação e o apoio institucional.
Segundo um estudo recente da Sage, a confiança continua a ser um dos principais fatores que condicionam a adoção da lA, sobretudo, no que diz respeito à segurança e privacidade dos dados. Cerca de 44% das empresas inquiridas manifestam receios quanto à proteção da sua informação, o que representa uma das maiores barreiras à implementação de soluções baseadas em IA.
Esta preocupação é compreensível: os dados sensíveis de clientes e processos internos exigem salvaguardas rigorosas para evitar fugas ou utilizações indevidas. Assim, é fundamental promover uma cultura de transparência e reforçar os mecanismos de cibersegurança, criando um ambiente onde as PME possam confiar na tecnologia que adotam.
Outro desafio crítico identificado prende-se com a formação dos colaboradores. A lA não é uma solução plug-and-play: exige competências específicas para ser utilizada de forma eficaz e segura. Entre 69% e 70% das PME reconhecem que a adoção da lA requer formação significativa, com destaque para a compreensão dos princípios da inteligência artificial e das boas práticas em cibersegurança. Este dado sublinha a importância de investir em programas de capacitação continua, que preparem as equipas para operar estas ferramentas e compreender as suas implicações técnicas e éticas.
Além disso, muitas PME sentem falta de um apoio mais robusto por parte do Estado. Cerca de um terço das empresas ponta a necessidade de incentivos financeiros ou benefícios fiscais que ajudem a mitigar os custos iniciais da transformação digital. Paralelamente, uma proporção semelhante defende a criação de regulamentação clara e específica, que ofereça segurança jurídica e evite ambiguidades que possam travar a inovação. Este apelo reforça a importância de políticas públicas que democratizem o acesso à lA e criem um quadro normativo estável e favorável à inovação.
Em suma, para que as PME possam tirar partido do potencial transformador da IA, é necessário mais do que apenas tecnologia. É preciso construir um ecossistema de confiança, investir na formação das pessoas e garantir um apoio institucional claro. Só assim será possível promover uma adoção sustentável da IA, permitindo às PME inovar, crescer e manter-se competitivas num mercado cada vez mais exigente e digital.
Hugo Oliveira
Partner & Ecosystem Director Iberia Sage