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Soluções de pagamento: rumo ao digital

O processo de digitalização dos pagamentos ganhou escala desde março, acelerando a introdução de alternativas mais eficientes. O comércio eletrónico sofreu um crescimento considerável e a procura por técnicas de pagamento cashless disparou, seja no e-commerce, seja pelo recurso ao contactless e MB Way nas lojas físicas.

 

O mundo foi este ano surpreendido por uma pandemia que pôs em causa negócios, empregos e trouxe mudanças profundas na forma como nos relacionamos. E aqui falamos no contacto social mas não só: a relação consumidor/vendedor teve de sofrer alterações drásticas e rápidas, a bem da contenção da propagação do coronavirus.

Embora todos preferíssemos que esta ‘hecatombe’ não se tivesse abatido sobre as nossas vidas, há sempre lições, ensinamentos e ganhos que resultam desta capacidade do ser humano de, face à necessidade, aguçar o engenho.

Face ao fecho repentino de muitos negócios – permanente ou provisório – e aos cuidados necessários para prevenir contágios, o processo de digitalização dos pagamentos ganhou escala desde março, acelerando a introdução de alternativas mais eficientes. Assim, o comércio eletrónico sofreu um crescimento considerável e a procura por técnicas de pagamento cashless disparou, seja no e-commerce, seja pelo recurso ao contactless e MB Way nas lojas físicas.

 

As vantagens de um mundo cashless

A verdade é que, pandemia à parte, o recurso a soluções cashless tem inúmeras vantagens, não só para os consumidores como para os empresários. Assim, para além da questão da higiene, os meios de pagamento eletrónicos oferecem mais segurança, uma redução de custos com o manuseamento de dinheiro ou cheques, garantia imediata de pagamento concretizado e vantagens para a contabilidade organizada.

É verdade que o cibercrime é uma ameaça que paira constantemente neste mundo virtual que temos hoje – e a pandemia trouxe ameaças acrescidas, nomeadamente pelo disparar do recurso às plataformas de comunicação online – mas as evoluções sofridas em termos de reforço da segurança nos pagamentos trazem garantias consideráveis de proteção face a atos fraudulentos, quer para os comerciantes, quer para os seus clientes.

Existem várias ofertas disponíveis no mercado para agilizar processos de pagamento. Consoante os negócios em causa, assim variam os requisitos e, portanto, as soluções mais adequadas. São elas:

  • Terminais de Pagamento Automático (TPA): existentes na maior parte dos espaços comerciais, aceitam pagamentos a débito ou a crédito e adequam-se a diferentes tipos e dimensões de negócio, variando também os custos associados consoante o tipo de contrato que se estabeleça com o fornecedor dos mesmos; cada vez mais frequentes são os TPA com tecnologia contactless ou MB Way; a tecnologia contactless permite que apenas se aproxime o cartão do terminal, sem necessidade de introduzir pin, para pagamentos de até 20 euros. No âmbito das medidas da pandemia, foi regulamentada pelo Banco de Portugal a subida deste teto para os 50 euros, mas não é certo se é ou não uma regra que vai permanecer no pós-coronavirus;
  • MB Way: para além de permitir transações no momento entre particulares, esta aplicação pode ser igualmente utilizada para a cobrança de bens e serviços, assim os TPA existentes estejam já preparados para utilizar este tipo de meio de pagamento; também nas lojas online as transações já podem ser feitas por esta via;
  • ‘Dynamic Currency Conversion’: este tipo de ferramenta é útil, sobretudo, para negócios em que é frequente o uso de cartões bancários associados a contas em moedas que não o euro; esta tecnologia faz a mudança cambial no momento da transação;
  • Pagamentos integrados: oferecem aos comerciantes a possibilidade de ir atualizando no seu sistema os valores a debitar num dado cartão bancário – de débito ou crédito – durante um determinado período de tempo (se se tratar de um hotel, por exemplo, falamos do período de estada de um determinado cliente), permitindo a correção imediata de valores de despesa devidos, graças ao envio automático de pedidos de autorização de débito nos cartões em questão;
  • ‘Digital Payments Gateway’: este sistema está concebido para uso em compras online, sendo implementado na loja online do comerciante, permitindo a gestão dos pagamentos digitais feitos com diferentes marcas de cartões e, igualmente, com MB Way; alguns permitem, inclusive, gerar referências multibanco para que o cliente faça depois o pagamento quer num ATM quer via homebanking; com esta ferramenta, o comerciante pode ainda controlar, em simultâneo, os pagamentos online e offline;
  • Garantia de reservas: este tipo de tecnologia permite a cobrança de custos devidos, por exemplo, em alugueres de carros, nomeadamente em casos de cancelamentos fora do prazo;
  • Tax Free: funcionalidade dirigida aos residentes de países fora da União Europeia, que permite aos comerciantes que o pretendam dar aos seus clientes a possibilidade de lhes ser devolvido o IVA relativo às compras efetuadas;
  • Referências multibanco: são geradas pelo banco onde a empresa ou negócios tem as contas sediadas, com a identificação da entidade, a referência e o valor da despesa, para o posterior pagamento pelos clientes onde e como for mais conveniente.

Sendo ainda muito cedo para se falar num pós-pandemia, não é certo até que ponto este acelerar do uso não material do dinheiro veio para ficar. É, ainda assim, possível antecipar que alguns comportamentos possam ter vindo para ficar, na medida em que a necessidade de recorrer a formas de pagamento contactless (online, cartões, smartphones) terá precipitado a mudança de hábitos em muitos clientes e a digitalização dos negócios. Muitos consumidores e empresários já não irão, muito provavelmente, querer fazer o caminho de volta. A constatação das várias vantagens deste tipo de pagamentos é passível de mudar paradigmas mais depressa do que se pensava.

 

Keir Thomas-Bryant é o especialista dedicado da Sage às questões que afetam as Pequenas e Médias Empresas e os Gabinetes de Contabilidade.