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Os desafios das (tele) famílias em teletrabalho e em telescola

A situação em que cada uma das nossas famílias se encontra é única, e a maneira de lidar com a mesma desafia-nos a encontrar formas criativas de assegurarmos a tranquilidade e normalidade possíveis, no momento de crise em que vivemos. Não podemos perder de vista, que este momento vai passar e que se todos fizermos a nossa parte, no final, todos vamos ficar bem.

Um dos primeiros desafios que se colocou aos pais, no início deste momento de crise, foi como se explica às nossas crianças o que estamos a viver… O que é este Coronavírus, que fez com que as suas vidas num curto espaço de tempo ficassem viradas do avesso? Como explicar o isolamento social necessário para parar o contágio? De um dia para outro, os nossos filhos deixaram de ir à escola, de ver os amigos, os avós, primos, etc… Passaram a ter de estudar em casa, ao lado dos pais, que apesar de estarem também em casa, estão a trabalhar… E tudo se deve a um tal COVID-19…

A necessidade de adaptar as nossas explicações à idade dos nossos filhos revela-se crítica. Devemos procurar ser claros e dar exemplos, para garantir que eles compreendem o que pretendemos dizer. Devemos esclarecer as suas dúvidas e, de forma tranquilizadora, oferecer informação sobre como podemos proteger-nos. Podemos e devemos transmitir confiança, explicando que os organismos de saúde e mesmo nós – os pais – estamos a garantir o acesso a bens necessários, à saúde e à segurança de todos.

Os nossos filhos podem responder ao stress de maneiras diferentes e como tal, devemos procurar ser compreensivos e dar apoio, escutando o que os preocupa, e, dando uma dose extra de atenção e carinho.

Com as escolas fechadas, outra questão se veio adicionar… Como manter os nossos filhos em casa a trabalhar como se estivessem na escola? Somos constantemente relembrados que eles não estão de férias, que têm de continuar o processo de aprendizagem. Toda a organização, planeamento e acompanhamento necessários a um processo de aprendizagem à distância pode colocar ainda mais pressão sobre as famílias.

 

Conciliar família e trabalho

À gestão do ambiente familiar junta-se a necessidade de continuar a responder às exigências do trabalho. Mesmo em casa, é esperado que as nossas obrigações e tarefas enquanto profissionais sejam desempenhadas de forma a garantir que as nossas equipas, colegas, clientes e parceiros de negócio sintam que continuamos a estar lá para eles.

Adicionalmente, face à crise provocada pela pandemia, à imprevisibilidade do que se segue, às exigências familiares e do trabalho e ao próprio isolamento social, podemos nós próprios, por vezes, sentirmo-nos como estando por um fio.

Por muito que o cenário descrito possa parecer demasiado para aguentar, o momento exige que se recorra a um conjunto de recursos que cada um de nós possui e ferramentas que nos podem ser dadas por outros e que nos podem ajudar a manter a tranquilidade possível e a normalidade desejável numa situação como a que vivemos.

Como inicialmente referi, cada família se encontra numa situação que reflete as suas particularidades. A minha, como família monoparental, com um adolescente de 12 anos que tem uma relação muito próxima dos avós e à família alargada acarreta desafios específicos e diferentes de outras famílias. Daí que a criatividade que cada um deve ter para ultrapassar esses desafios seja a chave para sermos bem-sucedidos.

Existem famílias que criam listas de regras comuns de convivência, negociadas entre pais e filhos, existem outras que vão gerindo as coisas conforme elas vão surgindo. Depende da estrutura familiar, da idade das crianças, das exigências do trabalho e do espaço que temos para levar a cabo algumas das iniciativas que possamos querer fazer.

No meu caso, a adaptação a esta nova situação teve os seus momentos bons e outros nem por isso, com algumas aprendizagens pelo caminho e reajustamentos já programados para as semanas vindouras.

 

Estratégias para o dia-a-dia

Identifiquei um conjunto de estratégias que fomos usando nesta primeira semana em que estivemos em casa, um a aprender à distância e o outro em teletrabalho. Neste momento, são as regras pelas quais nos regemos, nos levaram com otimismo a ultrapassar o que no começo parecia incomportável:

  1. As rotinas diárias são para se manter: levantar a uma determinada hora, tomar banho, vestir-se, tomar o pequeno-almoço e estar pronto para trabalhar ou para as aulas a horas é obrigatório. As refeições e a hora de deitar seguem a rotina diária também;
  2. Levantar-se e fazer pausas com frequência: as pausas, normalmente, seguem as rotinas das aulas. Para além do almoço, o intervalo maior é das 10h-10h20 e sempre que possível, a pausa é feita em conjunto;
  3. O espaço para trabalhar/estudar e para lazer é distinto: cada um tem o seu espaço de trabalho e as zonas para descontrair são comuns. É obrigatório manter o local de trabalho limpo e organizado quando se termina;
  4. Quando estamos em reunião/telefonemas ou em aulas evita-se interrupções: em ambos os casos, trabalho ou aulas, procura-se respeitar e não interromper ou distrair o outro;
  5. Comer de forma equilibrada e evitar andar a “petiscar”:nos primeiros dias em casa foi frequente o levantar e ir comer qualquer coisa. É algo que nesta semana se vai limitar: foi acordado o número de vezes em que é permitido comer entre refeições e o quê;
  6. Manter o contacto com os colegas de trabalho e da escola: para manter o contacto com os colegas de trabalho ou da escola, temos momentos de pausa em que usamos o Teams ou telefone/WhatsApp para fazer conversa e mantermos o contacto;
  7. Manter o contacto com a familiar e amigos: todos os dias, há pelo menos duas chamadas telefónicas/WhatsApp para os avós. A família alargada tem um grupo em que todos os dias os tios e os primos trocam mensagens;
  8. Fazer exercício físico:apesar de termos feito exercício algumas vezes, não foi com a regularidade desejada. Este é um ponto a reforçar nesta semana, com momentos planeados e acordados o que obriga a que seja cumprido;
  9. Aproveitar a oportunidade de criar novas rotinas: um exemplo disso são os 30 min a 1h no final de cada dia para fazermos uma coisa em conjunto: jogar, cantar, jogar à bola, ler ou conversar sobre o que foram os temas tratados na escola ou no trabalho – este tempo nem sempre estava ao nosso alcance por causa do trabalho ou dos treinos ou das atividades extracurriculares;
  10. Envolver as crianças na realização de algumas tarefas domésticas:apesar de alguma resistência inicial típica da idade, o envolvimento nas tarefas de casa tem vindo a ser mais colaborante e diligente, o que alivia o “peso” destas tarefas que estavam a cargo de uma só pessoa;
  11. Procurar ter sempre situações em que haja diversão: é importante aligeirar o momento e criar memórias positivas, por isso, alguma diversão é necessária;
  12. Limitar a utilização das redes sociais ou tempo à frente da televisão: como as aulas acabam pelas 16h30 e até às 18h ainda estou a trabalhar, fica algum tempo livre para descontrair e nem sempre é usado da melhor maneira. Por isso, esta semana temos um novo desafio: por cada minuto gasto nas redes sociais e televisão, o mesmo tempo deve ser gasto a ler um livro, neste caso, “A volta ao mundo em 80 dias” de Júlio Verne.

Apesar destas estratégias não terem sido definidas no início da semana, elas foram-se instalando e tornando-se em práticas, com a necessidade e o passar dos dias. É de salientar que com o alongar desta situação, algumas dessas estratégias podem deixar de fazer sentido e outras podem ser acrescentadas a esta lista.

O importante, para qualquer família, é ter um conjunto de rotinas que alicerce as atividades do dia-a-dia e ir-se ajustando e adaptando conforme as circunstâncias forem sendo relevantes. E procurar ser criativo na forma de ultrapassar as situações com que se deparam (como por exemplo, afastar mobília de uma determinada divisão para se poder jogar à bola).

Este momento desafia a nossa capacidade para nos adaptarmos a uma situação de enorme incerteza e exige-nos que tenhamos a resiliência necessária para percebermos que isto é um momento que vai passar e que no final de tudo, vamos todos ficar bem.

Até lá, relembremos a missão que nos une a todos #ficaemcasa.

 

Filipa Gomes Pereira
Unit Director – Retail & Loyalty Sage Portugal