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Executive Breakfast Industria 4.0

A Sage realizou, em parceria com o Jornal de Negócios, um Pequeno-Almoço Executivo dedicado ao tema “Indústria 4.0”.

A Indústria atravessa um momento de transformação profunda, deparando-se com diversos desafios associados à transição para a designada “indústria 4.0”. Esse foi o tema do evento realizado pelo Negócios e a Sage e que juntou prestigiados oradores.

O discurso de abertura coube a Luís Fernando de Mira Amaral, vice-presidente do Conselho Geral da CIP. Na sua intervenção ele alertou que a quarta revolução industrial já chegou, só que Portugal ainda não apanhou o comboio também ainda não descolou completamente do modelo de baixos salários. “Para que isso acontecesse, seria importante que houvesse mais profissionais qualificados, porém, só 2,2% dos doutorados estão nas empresas”, defendeu.

Mira Amaral sublinhou, no entanto, que há sectores lusos que vão bem adiantados nesta transformação do sector e são já referências mundiais. “A convergência entre o mundo físico, as tecnologias digitais, os sistemas biológicos e as ciências da vida dão origem à quarta revolução industrial. E a indústria agroalimentar é exemplo desta convergência”. O atual vice-presidente do Conselho Geral da CIP acrescentou que, “sem prejuízo de termos de avançar para novos sectores, não podemos esquecer os sectores tradicionais onde estamos a ter um grande sucesso”.

Seguiu-se a mesa-redonda, moderada por Tiago Freire, diretor-adjunto do Jornal de Negócios, na qual participaram Adriano Serrano, diretor de Processos e Sistemas de Informação da The Navigator Company; João Miranda, CEO da Frulact e José Manuel Fernandes, CEO da Frezite. Os palestrantes recordaram que a quarta revolução industrial tem como principal marca a profunda digitalização de todo o processo produtivo. “Não se trata apenas de promover uma automação isolada de máquinas e processos, como aconteceu com a introdução de robôs (uma das marcas da indústria 3.0, e que, por si só, já representou a eliminação de postos de trabalho). Na indústria 4.0 a digitalização será levada a um patamar inédito”. Alertaram, porém, que isso terá custos em termos de emprego, porque quem quer ser competitivo terá de dispensar a força de trabalho. E vai colocar pressão nas universidades, porque é preciso apostar em competências que hoje não são exploradas. “Entre os ganhos de produtividade e controlo da produção que serão garantidos pelos mecanismos da indústria 4.0, há um problema importante: as novas ferramentas deverão levar à dispensa de 10% a 45% da força de trabalho atual no sector”, apontaram. A boa noticia é que, entretanto, serão criados outros postos de trabalho mais qualificados.

O discurso de encerramento coube a Ana Teresa Lehmann, Secretária de Estado da Indústria. A responsável revelou que a Industria 4.0 é uma das principais linhas de atuação do Governo, e prova disso são os 4,5 mil milhões de euros que serão injetados na economia nos próximos quatro anos, uma verba, que mistura fundos públicos e privados e servirá para adotar tecnologia para digitalizar todo o processo produtivo. O problema, alertou, é que isso não chega porque há uma escassez de recursos humanos. “O nosso grande desafio não é económico nem financeiro, é demográfico. A nova revolução industrial que está em curso não é só tecnológica, mas sobretudo social. O grande desafio é atrair jovens para o sector, mostrando-lhes que é uma área “sexy”, concluiu.

Recorde que a estratégia do Governo para a Indústria 4.0 consiste num conjunto de 60 medidas de iniciativa pública e privado que, segundo o Governo, “deverão ter um impacto sobre mais de 50 mil empresas a operar em Portugal e, numa fase inicial, permitirão qualificar e formar mais de 20 mil trabalhadores em competências digitais”.

Da Sage, Hugo Oliveira, Sales Manager Sage Enterprise Market, foi o orador convidado, para abordar a estratégia da Sage neste âmbito.

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